 No Brasil, a supervisão de enfermagem é uma atividade privativa do Enfermeiro, garantida pela Lei 7.498/86, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem. Outra Resolução que apoia a supervisão de Enfermagem é a COFEN n. 441/2013, que dispõe sobre a participação do Enfermeiro na supervisão de estágio de estudantes dos diferentes níveis de formação profissional de Enfermagem.
Em Portugal, segundo o Regulamento n.º 366/2018 da Ordem dos Enfermeiros, a Supervisão Clínica em Enfermagem (SCE) é definida como um processo formativo estruturado que formaliza a relação entre supervisor e supervisionado, com foco no desenvolvimento progressivo de competências clínicas, éticas e analíticas necessárias ao exercício profissional. Desse modo, a SCE se apresenta como um mecanismo essencial para apoiar a aprendizagem em contexto real, assegurando acompanhamento qualificado, reflexão sobre a prática e promoção da segurança no cuidado, reforçando a responsabilidade do supervisor na orientação e avaliação do desempenho do estudante em ambiente clínico (ORDEM DOS ENFERMEIROS, 2018).
O supervisor clínico não se limita à avaliação ou ao acompanhamento técnico do estudante, visto que ele assume a posição de orientar, apoiar e inspirar, atuando como mentor e referência profissional capaz de estimular a reflexão e o pensamento crítico (BIFARIN & STONEHOUSE, 2017; SILVA, et al. 2023). Para que essa função se concretize de forma efetiva, espera-se que o supervisor trabalhe à luz do modelo CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) equilibrando domínio técnico-científico, prática segura e postura ética e relacional, favorecendo uma aprendizagem significativa, humanizada e alinhada ao cotidiano dos serviços de saúde.
A literatura evidencia que as competências necessárias ao supervisor em enfermagem podem ser agrupadas em cinco eixos principais: características individuais, organização e adaptação ao contexto, competências relacionais e pedagógicas, comunicação e domínio técnico-científico (CORREIA, LAGE & MARTINS, 2025). Essas competências integram desde atributos pessoais, como empatia e resiliência, até capacidades de gestão da aprendizagem, mediação de conflitos, aplicação da evidência científica e tomada de decisão fundamentada.
Desse modo, diante da complexidade dos cenários assistenciais e do caráter multifacetado da SCE, torna-se indispensável investir em uma formação estruturada que auxilie o pós-graduando no desenvolvimento dessas competências. Propostas que integrem aulas expositivas, discussão teórica e espaços reflexivos podem favorecer a consolidação do perfil do supervisor e contribuir para práticas educacionais mais qualificadas. Assim, a SCE deixa de ser apenas um instrumento de avaliação técnica e passa a influenciar diretamente a identidade profissional, o bem-estar emocional e a qualidade relacional do futuro enfermeiro supervisor. |